quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Doenças que atingem os negros


A população negra brasileira apresenta uma especificidade genética que a distingue do resto do mundo. Devido à miscigenação de negros procedentes de várias regiões africanas com características genéticas e culturais peculiares e, posteriormente, pela miscigenação entre negros e brancos ocorridas no país, certos tipos de doenças são mais propícios a serem desenvolvidos por quem possui a pele negra. Portanto, redobre o cuidado, vá ao médico e fique atento aos sintomas. Conheça algumas destas doenças:
ANEMIA FALCIFORME: A anemia falciforme é um tipo de anemia hereditária, e a mais universal no Brasil. Tem origem desconhecida, mas provavelmente desenvolveu-se na África, milhões de anos atrás. No Brasil, estima-se que 3 de cada 100 pessoas são portadoras de traço de anemia falciforme e 1 em cada 500 negros brasileiros nasce com uma da doença, pois ela é genética e hereditária, causada por anormalidade de hemoglobina dos glóbulos vermelhos do sangue, responsáveis pela retirada do oxigênio dos pulmões, transportando-o para os tecidos. Esses glóbulos vermelhos perdem a forma discóide, enrijecem-se e deformam-se, tomando a forma de “foice”. Os glóbulos deformados, alongados, nem sempre conseguem passar através de pequenos vasos, bloqueando e impedindo a circulação do sangue nas áreas à volta. O ideal é procurar um médico para realizar exames periódicos, que podem detectar cedo o problema.
PRÉ-ECLÂMPSIA: Desenvolvida por mulheres grávidas, a pré-eclâmpsia é um problema grave, marcado pela elevação da pressão arterial, que pode acontecer a qualquer momento da segunda metade da gravidez, ou seja, a partir de 20 semanas, mas é mais comum a partir de 27 semanas.
Os especialistas acreditam que seja causada por deficiências na placenta, o órgão que nutre o bebê dentro do útero. A pré-eclâmpsia é bastante comum, e afeta em sua forma leve até 10% das grávidas. A pré-eclâmpsia grave é mais rara, atingindo 0,5% das gestantes.
Os sintomas são inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nos pés; dor de cabeça persistente; perturbações na visão, como vista embaçada ou luzes piscando; dor forte na barriga, abaixo das costelas; e mal-estar geral.
As mulheres negras têm mais probabilidades de adquirir a doença, pois é um mal causado por pressão arterial, e a população negra desenvolve maior incidência de problemas cardiovasculares.
DOENÇAS CARDÍACAS: Pessoas negras com casos de doenças cardiovasculares na família têm uma maior propensão para desenvolverem doenças que afetam o sistema cardiovascular.
DEFICIÊNCIA DE GLICOSE 6-FOSFATO DESIDROGENASE: Nos Estados Unidos, a incidência de G6PD é maior entre a população negra, com uma frequência de heterozigotos (requisito de portador com um gene normal e outro irregular) de 24%, e muro de 10% a 14% dos homens desse grupo são afetados.
HEMORRAGIA SUBARACNÓIDE: Representa 5% de todos os acidentes vasculares cerebrais e atinge 30.000 casos/ano nos Estados Unidos. Aneurismas na base do cérebro são responsáveis por 80% dos casos, sendo um dos fatores de riscos envolvidos, os portadores de anemia falciforme.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Muito além da depressão

Medicamentos da classe ISRS têm sido prescritos para o tratamento de diferentes transtornos mentais

A maioria das pessoas certamente já ouviu falar desses medicamentos, mas poucas sabem como atuam no cérebro e que seu uso na medicina vai além do controle dos sintomas da depressão. Antidepressivos são fármacos capazes de modificar a transmissão neuroquímica do cérebro, aumentando a concentração de substâncias relacionadas ao humor e à sensação de bem-estar. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) são atualmente a classe mais prescrita. A seguir, os usos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), o órgão de regulação de drogas e alimentos nos Estados Unidos.
Prescrições off-label
Abuso de drogas e dependência química
Autismo (em crianças) 

Fibromialgia
TDAH (em crianças e adolescentes) 
Transtorno bipolar 
Transtornos de ansiedade 
Transtornos alimentares
Transtorno obsessivo-compulsivo 
Transtorno disfórico pré-menstrual 
Dor neuropática









Investigação

ISRSs têm se mostrado promissores em testes clínicos para o tratamento de artrite, problemas decorrentes de AVC, neuropatia diabética, síndrome do intestino irritável, enxaqueca, síncope neurocardiogênica (desmaio) e ejaculação precoce.

Repertório em expansão
Abaixo, os cinco ISRSs que foram aprovados nos Estados Unidos e os anos em que foram liberados para comercialização.
Fonte: Revista Mente e Cérebro


Anvisa estuda reclassificar canabidiol como medicamento, diz presidente

Substância presente na folha da maconha é usada para tratamento de doenças neurológicas
O presidente substituto da  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ivo Bucaresky, disse que a agência estuda reclassificar o canabidiol como medicamento. Ele explicou que levantamentos de estudos científicos feitos pela Anvisa mostram que “não há evidência na literatura [científica] que ele causa dependência ou que deixe as pessoas 'doidonas'”, disse. O canabidiol é uma substância, presente na folha da maconha (Cannabis sativa), que é usada para tratamento de doenças neurológicas, câncer, mal de Parkinson, entre outras.

“Por ser um derivado da cannabis, o canadibiol estava incluso na Lista E que é a lista de plantas que podem originar substâncias entorpecentes e psicotrópicas e na Lista F, que são susbtância de uso proscrito no Brasil de entorpecentes e psicotrópicos", disse Bucaresky. Caso seja reclassificado, ele vai para a "Lista C1, que é uma lista de [remédios] controlados que envolve uma série de medicamentos, sejam medicamentos de grande grau de risco e, por isso, tem que ter controle, sejam medicamentos novos, que tem que ir testando". Segundo o Bucaresky, a reclassificação promete facilitar a importação da substância por pessoas jurídicas e para pesquisas científicas.

Segundo o professor e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Elisaldo Carlini, o efeito positivo do canabidiol é reconhecido há pelo menos 20 anos em países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Há mais de 50 anos ele acompanha pesquisas com canabinóides (sustâncias extraídas da maconha). “Por que é tão difícil conseguir um medicamento que há 20 anos muitos países já estão utilizando, muitos laboratórios já estão produzindo?”, questionou o pesquisador, que foi duas vezes presidente da Anvisa.
Ainda de acordo com Carlini, a proibição da utilização medicinal do canabidiol tem atrapalhado as pesquisas científicas no país. Há 40 anos, ele começou a estudar o uso da substância com doentes epiléticos adultos, mas as dificuldades em conseguir a liberação da substância afetaram sua pesquisa.

Para Carlini, caso não houvesse a proibição, as descobertas relatadas em outros países poderiam ter sido feitas no Brasil. “[Com este atraso,] nós estamos, como cientistas, atrás de saber se o cavalo tem rabo ou não”, reclamou. O presidente da Anvisa também reconheceu que a carência de pesquisas científicas interfere no uso do canabidiol  em diversos tipos de tratamento. “As pessoas não sabem a dosagem correta para dar e tem que ficar testando”, disse

Fonte: EBC




Alimentos ricos em potássio diminuem risco de derrame em mulheres

É o que aponta uma pesquisa publicada no periódico Stroke, feita com mais de 90 mil voluntárias entre 50 e 79 anos de idade.

1 espiga de milho tem 555 mg de potássio. A recomendação diária do mineral é de 4,7 gramas.

 Quer mais um motivo para você incluir frutas e verduras no cardápio? Esses alimentos são as principais fontes de potássio e, segundo um estudo recente da Faculdade de Medicina Albert Einstein, nos Estados Unidos, mulheres que consomem as doses recomendadas desse nutriente estão menos propensas a sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Os cientistas acompanharam, durante 11 anos, 90 137 participantes que já haviam passado pela menopausa e estavam, portanto, mais expostas a um derrame.
Ao avaliar a quantidade diária do mineral ingerida pelas voluntárias, os pesquisadores notaram que as que comiam mais de 3,2 gramas de potássio por dia apresentavam um risco 12% menor de sofrer um AVC em comparação àquelas cujo consumo não passava de 1,9 gramas. Os resultados apontaram ainda que, entre as mulheres que não eram hipertensas e consumiam potássio nas quantidades recomendadas, a probabilidade do problema diminuía para 21%.
Os autores da investigação ponderam que mais estudos são necessários e que outros fatores podem contribuir para que uma pessoa tenha um AVC. Mas uma coisa é certa: ter uma alimentação saudável só vai trazer benefícios a curto e a longo prazo.

Fonte: Revista Saúde


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Especialmente para aqueles dias em que precisamos 'ficar mais alertas', acabamos recorrendo ao bom e velho cafezinho como solução, mas é necessário saber até que ponto estamos ingerindo essa substância com segurança. 


QUANTO DE CAFEÍNA PODEMOS CONSUMIR COM SEGURANÇA?

Tem gente que nem bem se levanta e já vai para a cozinha preparar um café. Sem ele, muitos ficam mal humorados de manhã ou sentem que não acordaram direito. Mas quanto podemos consumir de cafeína por dia sem colocarmos em risco a saúde?
A Mayo Clinic, um dos principais hospitais dos Estados Unidos, lançou em abril deste ano um artigo sobre o assunto.
Segundo a organização, para a maioria dos adultos é seguro consumir até 400 miligramas de cafeína por dia. Essa é a quantidade presente em cerca de 5 xícaras de café (xícara pequena) ou 10 latas de refrigerante de cola ou ainda 2 latas de bebidas energéticas.
A cafeína não é considerada segura para crianças e adolescentes, que não devem consumir mais de 100 mg dessa substância por dia.
Quem consome mais xícaras de 5 xícaras de café por dia (mais de 500 ou 600 mg), pode sentir os seguintes efeitos adversos: insônia, nervosismo, agitação, irritabilidade, dor de estômago, batimentos cardíacos acelerados e tremores musculares.
Algumas pessoas são extremamente sensíveis à cafeína. Para elas, apenas uma xícara de café ou de chá pode causar efeitos adversos como insônia e agitação. Por isso, quem tem sensibilidade à cafeína ou faz uso de determinadas medicações deve ficar atento.
Quem não costuma ingerir cafeína pode sentir os efeitos negativos dessa substância mesmo em baixas doses. Outros fatores como peso corporal, idade, uso de medicamentos e problemas de saúde como transtorno de ansiedade podem tornar o individuo mais suscetível a seus efeitos colaterais.

Fonte: Drauzio Varella

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Paracetamol e lombalgia: um santo sem milagres?

Novo estudo contraria as diretrizes vigentes e indica que o paracetamol não é efetivo no tratamento da lombalgia aguda (WILLIAMS et al., 2014).
A lombalgia é é um sintoma altamente prevalente, responsável por muitos atendimentos médicos. Até 84% dos adultos apresenta dor lombar em algum momento de suas vidas [1,2].
O espectro da doença e a morbidade associada à dor lombar é ampla. Para muitas pessoas, os episódios de dor nas costas são autolimitados e resolve sem tratamento específico. Para outros, no entanto, a dor lombalgia é recorrente ou crônica, causando dor significativa, interferindo nas atividades diárias e qualidade de vida. O paracetamol é o analgésico de primeira linha recomendado para a dor lombar aguda; no entanto, nenhuma evidência de alta qualidade apoia esta recomendação.
Com objetivo de avaliar a eficácia do paracetamol, administrado regularmente ou se necessário, e o tempo de recuperação da dor, em comparação com placebo, em pacientes com dor lombar, ensaio clínico randomizado, multicêntrico, controlado por placebo foi conduzido em 235 centros de cuidados primários em Sydney, Austrália,  no período de 11 de novembro de 2009 a 05 de março de 2013.
Para tal, pacientes com dor lombar aguda, foram distribuídos aleatoriamente numa proporção 1: 1: 1, para receber até 4 semanas de: doses regulares de paracetamol (três vezes por dia; equivalente a 3990 mg de paracetamol / dia); doses conforme a necessidade de paracetamol (ingerido quando necessário para alívio da dor; máximo 4000 mg de paracetamol / dia); ou placebo. A randomização foi realizada de acordo com um cronograma de randomização centralizado, preparado por um pesquisador não envolvido no recrutamento de pacientes ou nacoleta de dados. Pacientes e funcionários de todos os locais envolvidos foram mascarados para alocação de tratamento. Todos os participantes receberam aconselhamento e foram acompanhados por três meses. O desfecho primário foi o tempo até a recuperação da dor lombar, com recuperação definida como um escore de dor de 0 ou 1 (em uma escala de 0-10 dor) sustentado por sete dias consecutivos. Todos os dados foram analisados através de intenção de tratamento.
Resultados
550 pacientes foram atribuídos ao grupo tratamento regular (550 analisados), 549 designados para o grupo conforme a necessidade (546 analisados) e 553 foram designados para o grupo placebo (547 analisados). O tempo médio para a recuperação foi de 17 dias (95% IC 14-19) no grupo tratamento regular, 17 dias (15-20) no grupo conforme a necessidade, e 16 dias (14-20) no grupo placebo (regular vs placebo, taxa de risco 0,99, 95% IC 0,87-1,14; conforme a necessidade vs placebo 1,05, 0,92-1,19; normal vs conforme a necessidade 1,05, 0,92-1,20). Não foram registradas diferenças entre os grupos de tratamento para o tempo de recuperação (p ajustado = 0,79). A adesão aos comprimidos regulares (comprimidos consumidos por participante / dia; 4,0 [IIQ 1,6-5,7] no grupo regular, 3,9 [1,5-5,6] no grupo conforme necessário, e 4,0 [1,5-5,7] no grupo placebo). O número de participantes que relataram eventos adversos (99 [18,5%] no grupo regular, 99 [18,7%] no conforme a necessidade, e 98 [18,5%] no grupo do placebo) foi semelhante entre os grupos.
Conclusão
Os resultados sugerem que o uso regular ou conforme a necessidade de paracetamol não afeta o tempo de recuperação em comparação com o placebo nalombalgia aguda, e portanto questionam o endosso universal do uso de paracetamol neste grupo de pacientes.
Comentário
A lombalgia é uma condição muito prevalente, e em muitos casos debilitante. As diretrizes e protocolos de tratamento para o sintoma, até então, recomendam o paracetamol como a primeira escolha para tal, entretanto, o estudo comentado indica que a utilização desse medicamento não apresentou efetividade.
Essa constatação questiona o tratamento não só da lombalgia, mas de uma série de quadros álgicos, que empiricamente são tratados com analgésicos específicos, como o paracetamol, dipirona ou ibuprofeno, sem contatação em estudos de boa qualidade, e indica a necessidade de melhor comprovação nesse meio.

Referência
WILLIAMS, C. M. et al. Efficacy of paracetamol for acute low-back pain: a double-blind, randomised controlled trial. The Lancet, v. 384, n. 9954, p. 1586–1596, 23 jul. 2014. 

sábado, 15 de novembro de 2014

Exposição solar: o risco da radiação ultravioleta 

A exposição à radiação ultra-violeta (UV) proveniente do Sol é considerada a principal causa de câncer de pele tipo melanoma e não-melanoma. Aproximadamente 5% da radiação solar incidente na superfície da Terra provêm de raios ultravioletas, em intensidade que varia em função de localização geográfica (latitude), hora do dia, estação do ano e condição climática. O Índice Ultravioleta (IUV) é uma medida dessa intensidade, apresentado para uma condição de céu claro na ausência de nuvens, representando máxima intensidade de radiação. A OMS classifica este índice em cinco categorias, de acordo com a intensidade e estabelece as respectivas medidas de proteção.


Categorias de intensidade de IUV segundo recomendações da OMS
Categoria
Índice
Baixo
≤2
Moderado
3 a 5
Alto
6 a 7
 Muito Alto
8 a 10
Extremo
≥11

O câncer de pele não-melanoma é o tipo de câncer mais frequente no Brasil em ambos os sexos, mas raramente são fatais e podem ser removidos cirurgicamente. O câncer de pele melanoma apresenta letalidade elevada, porém sua incidência é baixa. Os níveis de exposição à radiação UV estão relacionados tanto a características individuais quanto a fatores ambientais, incluindo tipo de pele e fenótipo, história familiar de câncer de pele e nível de exposição cumulativa ao longo da vida.


Fatores de risco para o câncer de pele
·         História familiar para o câncer de pele
·         Pessoas de pele clara e cabelos loiros ou ruivos
·         Propensão a queimaduras e inabilidade para bronzear
·         Exposição à radiação UV intermitente
·         Exposição à radiação cumulativa

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) estima que pelo menos 80% dos melanomas sejam causados pela exposição ao Sol. Também no mundo é o tipo mais frequente: até 3 milhões de casos são diagnosticados a cada ano. A exposição cumulativa e excessiva nos primeiros 10/20 anos de vida aumenta muito o risco de desenvolvimento de câncer de pele: a infância é uma fase particularmente vulnerável aos efeitos nocivos do Sol.

Pele clara associada a uma ocupação que exponha o indivíduo à radiação solar por muitas horas pode aumentar em muito o risco de desenvolvimento do câncer de pele. É importante considerar fatores de risco como a ocupação,quando exige atividades ao ar livre, o local de residência, especialmente em áreas rurais, e o desconhecimento, por parte do indivíduo, de que a exposição excessiva ao Sol pode causar câncer de pele.

Fonte: Cancer incidence in fi ve continents (IARC, 2002) e dados dos RCBP brasileiros.